• JDias

Patrick sente-se não-pessoa


Ligar a mente ao corpo e o corpo à mente para nos tornarmos

mais pessoas e menos actores no meio de algo. No meio de mensagens, no meio de respostas, no meio do caminho para algo

Patrick é jovem, curioso e fascinado pela tecnologia. Domina os elementos e isso dá-lhe acesso a tudo o que deseja. Patrick é como tantos outros jovens, mas o pai leva-o a uma consulta.

O problema de Patrick é que consome a indústria da informação e sofre com isso. Patrick diz não saber quem é nem o que quer fazer. Diz não ter projectos e não ter ideia do que deseja. E remata: «Nem me sinto pessoa. Sou uma não-pessoa»

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Lembrei-me do etnólogo e antropólogo francês Marc Augé, que definiu em 1995 os Não-Lugares, sítios sem significado, sem identidade cultural, social ou histórica. São lugares transitórios cuja existência não tem conteúdo. Auto-estradas, centros comerciais e aeroportos são exemplos de não-lugares. Mas também o são as máquinas de multibanco, a televisão, o computador, lugares onde estamos mas sem um significado próprio. Hoje é mais evidente o consumo voraz de não-lugares através dos telemóveis e dos tablets: facebook, instagram, twitter, linkedin, etc.

Será que o consumo compulsivo de não-lugares

nos tornará não-pessoas?

Patrick tem acesso a tudo, mas passa demasiado tempo no acesso, em trânsito, na viagem de uma informação para uma notícia, de uma notícia para uma publicação, de uma publicação para uma citação. Patrick consome a procura de emoções e sensações, mas não chega a consumir emoções e sensações em si.

E assim se tornou num utilizador sem sentimentos ou emoções, apenas utilizador transitório, mecanizado e engrenado no ciclo vicioso da veloz materialidade virtual. Talvez sim, essa definição de não-pessoa seja bem adequada.

O pai de Patrick afirma que ele precisa de inteligência emocional. Precisa parar e pensar em si mesmo e ficar ali um tempo. Sim, precisa deixar de estar em trânsito e passar mais tempo num lugar que tenha significado.

Precisa deixar os não-lugares frequentados

por não-pessoas e focar-se num lugar para se tornar pessoa

Inteligência emocional é a palavra-chave no caminho para ser pessoa. Ligar a mente ao corpo e o corpo à mente para nos tornarmos mais pessoas e menos actores no meio de algo. No meio de mensagens, no meio de respostas, no meio do caminho para algo.

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